quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Despe-te. Vá, despe-te! Ou queres que te dispa? Eu dispo-te. Peça por peça. E deito-te. Olho-te. Percorro-te o corpo com os olhos. Depois, com as mãos. E com os olhos e com as mãos, ao mesmo tempo. Ninguém o faz como nós. E dizem que faz bem à pele – e faz mesmo! E dizem que queima calorias – e queima mesmo! E dizem que relaxa – e relaxa mesmo! E dizem que, depois, não se esquece – e não se esquece mesmo! Nunca! Impossível esquecer! Tu e eu damo-nos bem. Damo-nos bem a fazê-lo. Fazemo-lo tantas vezes! E sentimo-nos bem. Já sei quando queres: olhas para mim com olhos que falam e pedem, encostas-te a mim e, ainda que não emitas qualquer som, respiras vontade. E, mesmo sem pergunta nem resposta, começamos. Com os toques que te dou com as mãos, preliminarmente, vais-te pondo na posição que queres: no sofá, para te massajar a cabeça, deitas-te, com ela sobre as minhas pernas; na cama, para te massajar as costas, estendes-te, para que nenhum músculo teu, nenhum centímetro da tua pele – de alto a baixo, de baixo a alto, de dentro para fora, de fora para dentro, e de um lado ao outro e no sentido inverso – escape aos dedos e às palmas das minhas mãos. Queres, não queres? Despes-te? Ou queres que te dispa? Para que te massaje. Se não der em massagem, dá noutra coisa.
(Sérgio Lizardo)


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